Música Celtica

Exercícios Terapêuticos

Exercícios Terapêuticos
O universo está em constante movimento. O movimento significa vida. O movimento de uma espiral de energia vitaliza a célula única que marca o início de nosso tipo de vida humana. À medida que esse tipo de vida evolui, nós nos constituímos em um ser que constantemente troca energia com o cosmo. À medida que esta energia passa através de nós, ela nos alimenta, nos nutri e cria o movimento interno e externo de nossas vidas. Na expressão natural deste intercâmbio encontramos nossa saúde. O intercâmbio de energia é aumentado pelo movimento, e o movimento perfeito do corpo é uma extensão do interior para o exterior enquanto recebe estímulos que movem do exterior para o interior. (Greg Broòshy)

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23.2.13

Pais e Filhos Consomem Drogas Juntos



Uma pesquisa americana mostra que 20% dos viciados consomem drogas ao lado dos pais. No Brasil, o problema é semelhante.

Quando se fala em adolescente consumindo drogas, a imagem típica é a de um garoto fumando maconha com os amigos em algum beco da cidade. Um estudo feito nos Estados Unidos mostra que uma situação bem diferente está ficando cada vez mais comum.

Segundo a pesquisa feita por centros de tratamento nos estados de Nova York, Califórnia, Flórida e Texas, um quinto dos viciados já consumiu drogas com os próprios pais. Dos 600 pacientes entrevistados, 20% já tinham consumido algum tipo de entorpecente na companhia dos pais antes dos 18 anos.

Entre os que consumiram drogas acompanhados dos pais, 76% deles apontaram a maconha como a droga mais utilizada. O crack e a cocaína também apareceram nas respostas de 19% e 16% dos pacientes, respectivamente. Embora tenham afirmado que já consumiram algum tipo de droga com os pais, apenas 5% dos entrevistados afirmaram que foram iniciados por eles.

“Atualmente, muitos pais crêem que o consumo é uma espécie de rito de passagem”, explicou o presidente da Phoenix House, Michael S. Rosenthal. A pesquisa ainda mostrou que não há diferenças entre a quantidade de adolescentes negros, hispânicos ou brancos que consumiram drogas com os pais.

O Brasil não tem nenhuma estatística semelhante, mas o psicólogo Fernando Falabella Tavares de Lima, que trabalha com jovens no Núcleo de Estudos e Temas em Psicologia, acredita que o mesmo acontece por aqui.

“Muitos pais adotam um discurso defensivo – ‘Já que eles vão consumir drogas de todo jeito, que ao menos façam em casa, com segurança’ ”. O problema, diz Fernando, é que “os jovens ficam mais expostos e passam a consumir drogas com maior frequência”.

“Já atendi pacientes que fumavam maconha ao lado dos pais. Mas o adolescente não tem limites – impor isso é um dos papéis dos pais – e logo passa a consumir outras drogas”. O psicólogo diz que o diálogo franco e aberto entre pais e filhos é importantíssimo – mas ninguém deve facilitar o consumo de drogas.
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Fonte: www.boasaude.com

16.2.13

INDICAÇÕES E CONTRAINDICAÇÕES DA DRENAGEM LINFÁTICA





28 de maio de 2012



Existem contraindicações absolutas e relativas para a drenagem
Indicações:
Edemas e linfedemas: a drenagem linfática age ativando a circulação sanguínea propiciando a redução do linfedema e regeneração do sistema linfático. A depender do estágio da disfunção podem ser necessárias medidas auxiliares como o uso de enfaixamento compressivo e contenções elásticas;

Fibro edema geloide e lipoesclerose: a drenagem linfática auxilia a evacuação de líquidos proteicos e toxinas que tornam o tecido acometido pela patologia edemaciado e com aderências, normalizando o pH intersticial e favorecendo a nutrição e a oxigenação tissular;

Insuficiência venosa crônica: a incontinência valvular, com estase ou refluxo, leva a rede linfática a se revelar insuficiente para drenar o líquido intersticial excessivo. Juntamente com este excesso de líquido intersticial, há uma aglomeração anormal de proteínas e um aumento do número de leucócitos. A drenagem linfática auxilia na redução do edema de forma eficaz e rápida, eliminando o excesso de líquido do meio tissular para os vasos venosos e linfáticos.

Cefaleias e nevralgias: a cefaleia do tipo tensional é a mais frequente entre todos os tipos. Esta modalidade de cefaleia tem como mecanismo fisiopatogênico a seguinte sequência de eventos: uma problemática psicológica desencadeia uma contração muscular que aliada a vasoconstrição leva a produção de catabólicos algogênicos, dando a dor como resultado final. A drenagem linfática manual aumenta a circulação local, além de promover relaxamento e sedação geral, contribuindo para a redução da dor e do espasmo muscular.

Edemas gestacionais: durante o período gestacional ocorrem inúmeras modificações no organismo feminino para proporcionar ao feto o máximo de desenvolvimento e independência, o que põe à prova todo organismo da gestante, e que poderá levá-la a relatar inúmeras queixas. O edema de membros inferiores faz parte das queixas mais frequentes, e é acompanhado por vários ajustes secundários de outros sistemas. Seu surgimento está ligado à circulação linfática, seja diretamente em consequência do aumento de aporte de líquido ou indiretamente em consequência de uma patologia linfática específica. A drenagem linfática manual é um recurso valioso para a prevenção e o tratamento dessa condição;

Síndrome pré-menstrual: a sintomatologia característica da síndrome da tensão pré-menstrual, como: cefaleia, mastalgia, fadiga, dores nas pernas e desconforto pélvico, irritabilidade e ansiedade desse período podem ser amenizadas pela drenagem linfática;

Tratamento pós-cirurgia plástica: na recuperação pós-cirúrgica, a técnica de drenagem linfática manual é empregada para drenar edemas, favorecer e acelerar a regeneração tecidual e aliviar quadros álgicos. Quanto mais precoce for o início da realização da drenagem linfática manual melhor e mais rápida a recuperação do paciente. A drenagem atua tanto na regressão do edema como na uniformização do tecido que está cicatrizando por baixo da pele, evitando ondulações e a formação de nódulos na região.

A execução da massagem de drenagem no pós-operatório deve obedecer a alguns princípios: ser suave para evitar possíveis lesões teciduais; evitar movimentos de deslizamento; seguir o trajeto das vias que não foram comprometidas pelo ato cirúrgico; elevação do segmento a ser drenado; ser realizada de modo que não promova um maior tensionamento na incisão cirúrgica, fixando-a com uma das mãos;

Tratamento coadjuvante de cicatriz hipertrófica e queloideana;

Enfermidades crônicas das vias aéreas como rinites, sinusites, faringites.

CONTRAINDICAÇÕES:
Existem contraindicações absolutas e relativas para a realização da drenagem linfática:


Entre as contraindicações absolutas estão:
Tumores malignos não controlados: pelo risco de disseminação de metástases da patologia por via linfática;
Tuberculose: o bacilo desencadeador da tuberculose (bacilo de Koch) aloja-se nos gânglios linfáticos. Por meio da estimulação ganglionar, o bacilo pode voltar à atividade;
Processos infecciosos e inflamatórios agudos: a aceleração do fluxo linfático pode disseminar a infecção;
Edemas oriundos de insuficiências renais, hepáticas ou cardíacas não controladas: a sobrecarga de fluxo linfático originado pela drenagem linfática pode levar a congestão e falência das estruturas fragilizadas por patologia de base;
Insuficiência renal aguda: ao aumentar o aporte de líquido a ser filtrada pelo rim, a drenagem linfática pode causar um colapso do sistema renal;
Trombose venosa profunda, flebites e tromboflebites agudas: pelo risco de tromboembolismo;
Erisipela em fase aguda: a aceleração do fluxo linfático pode disseminar a infecção;

Entre as contraindicações relativas estão:
Hipertireoidismo: a estimulação direta sobre a glândula pode alterar a secreção hormonal, portanto, a drenagem linfática deve ser realizada sem manipulação sobre a área da tireoide;
Insuficiência cardíaca: o aumento do fluxo cardíaco ocasionado pela drenagem linfática pode ocasionar aumento do trabalho cardíaco e colapso do sistema, portanto, a drenagem linfática só deve ser realizada em pacientes compensados metabolicamente e com autorização do médico cardiologista;
Menstruação abundante: a drenagem linfática tende a aumentar o fluxo menstrual, portanto, neste período, convém evitar estimulação direta sobre a área abdominal;
Asma brônquica e bronquite: deve-se evitar estimular a região esternal para não potencializar as crises;
Hipotensão arterial: pacientes portadores de hipotensão arterial devem ser monitorados quanto à pressão, antes, durante e após os atendimentos de drenagem linfática;
Afecções da pele: não massagear diretamente as áreas acometidas;
Estados febris: a aceleração do fluxo linfático pode disseminar processos infecciosos.



Fonte: PORTAL EDUCAÇÃO
http://www.portaleducacao.com.br

12.2.13

ENVELHECER, SEM FICAR DOENTE



Dr. Lair Ribeiro

Assim como uma lâmpada que estava brilhando queima num instante, você deve brilhar até o fim. Quando se perde a autonomia pela vida a vida deixa de ter graça. Então, o segredo é acrescentar vida à sua vida. A ciência que mais se desenvolve é a nutrição. Ninguém é refém da sua hereditariedade. Pré-disposições podem não se desenvolver. Exemplo: se você ingere repolho, couve-flor, nabo, couve de bruxelas, brócolis, que contém substâncias que previnem o aparecimento do câncer de mama. Tudo depende do ambiente para que o gene se manifeste ou não.
Hipócrates dizia: “Deixe o seu alimento ser o seu remédio e o seu remédio ser o seu alimento”.

CARBOIDRATOS COM PROTEÍNAS FAZEM BEM?O que é melhor? Consumir pão com mortadela ou somente pão? O melhor é consumir carboidrato com proteína porque assim o alimento levará mais tempo para se dissolver e não haverá picos de insulina. Também é importante ter em mente que: Devemos tomar café como reis, almoçar como príncipes e jantar como mendigos. Depois das 18 horas o que você come fica com você a vida toda.... (o Dr. Lair Ribeiro brincou). Uma experiência relatou que dois grupos consumiram três mil calorias diárias. O grupo que consumiu mais calorias à noite engordou, enquanto que o grupo que consumiu a maior parte das calorias pela manhã emagreceu. Quando você dorme com a barriga cheia VOCÊ envelhece mais rapidamente. Isso acontece porque a glicose bloqueia o hormônio do crescimento, que é o mesmo hormônio que mantém a juventude. Então, você terá mais facilidade para engordar e mais rápido será seu envelhecimento.

BANHA DE PORCO OU ÓLEO DE CANOLA? Antigamente as pessoas cozinhavam com banha de porco, que é muito mais saudável do que o óleo vegetal comprado no supermercado. Mil vezes a banha de porco usada por nossa avó do que o óleo de canola. Muitos adoecem devido ao consumo desse óleo. A pessoa que consome esse óleo pensando que ele é bom porque é mais caro, durante dez a quinze anos, pode apresentar lesão cardíaca.

LUZ OU TOTAL ESCURIDÃO NA HORA DE DORMIR?Dormir no escuro faz muito bem. O ser humano foi feito para dormir no escuro absoluto. Se a pessoa dorme com alguma luzinha acessa, a melatonina, hormônio da juventude, que evita o câncer e é anti-oxidante e regula seu sono, fica bloqueada. Nenhuma luz deve estar acessa no quarto, nem mesmo a do DVD. Não se deve deixar nenhuma luz acessa, nem para ir ao banheiro. Quando a criança dorme no escuro, o seu sistema imunológico melhora. Dormindo no escuro, a tendência é emagrecer. Quando dormimos com a luz acessa, o cérebro interpreta como se o dia estivesse nascendo, provocando envelhecimento precoce e aumento de peso. Em 1890, nos Estados Unidos, APENAS três por cento da população era gorda. Hoje, 66% da população têm excesso de peso. Em 1890 todos dormiam no escuro. Antes os homens obedeciam os sinais da natureza.

EXERCÍCIOS FÍSICOS A Organização Mundial da Saúde diz que as pessoas devem dar, no mínimo, dez mil passos por dia. Existe um aparelho que custa 35 reais “pedômetro”. Esse aparelho é colocado na cintura quando a pessoa acorda. No final do dia, pode-se ver quantos passos foram dados. Menos que dez mil passos indicam sedentarismo. O organismo precisa gastar energia, estimulando as células e os músculos.

DIABÉTICOSPara dos diabéticos o melhor tratamento, o primeiro de todos, deve ser a atividade física. O diabético deve comer menos por refeição e fazer seis refeições por dia para não ter picos de açúcar.

QUANTO VAMOS VIVER? Para saber quanto uma pessoa vai viver, segundo LAIR RIBEIRO, ela deve medir sua insulina em jejum verificando se está próximo de 90. A boa notícia é que não importa a idade em que uma pessoa começa a se tratar. Quem cura o corpo não é o médico mas o próprio corpo. E nunca é tarde. Um médico dos EUA, aos 67 anos de idade, fez 44 exames para fazer uma experiência com seu próprio corpo. Ele começou a se cuidar, de verdade, aos 67 anos e aos 80 refez todos os 44 exames que havia feito aos 67 anos. Ele estava mais jovem aos 80 anos.

REFRIGERANTES = VENENORefrigerantes equivalem à cerveja. Uma lata de cerveja provoca uma lesão de 92% no corpo. Uma lata de refrigerante provoca 90% de lesão no corpo. Refrigerantes devem ser abolidos da nossa vida para sempre. Os refrigerantes sem calorias são ainda mais venenosos.

MULHERES As mulheres demoram mais para envelhecer se comparadas aos homens. Uma mulher com 60 anos preserva a força física, de quando tinha 20 anos, em 90 a 95%.Já os homens preservam apenas de 60 a 65% da força física que tinham nessa idade. As mulheres vivem de 8 a 9 anos mais do que os homens. As mulheres enxergam e ouvem mais que os homens. Dez por cento dos homens são dautônicos. Os homens não conseguem fazer várias coisas ao mesmo tempo. As mulheres têm mais conexões com partes do cérebro e maior capacidade de comunicação.

OVO – SEGUNDO MELHOR ALIMENTO O alimento mais perfeito do mundo é o leite materno. O segundo alimento mais perfeito do mundo é o ovo. Tudo o que a vida precisa está no ovo. Há 13 anos o Dr. Lair Ribeiro come de cinco a seis ovos por dia. Toda a manhã, ele consome três ovos cozidos. Segundo ele, nunca houve uma pesquisa científica que provasse que o ovo aumenta o colesterol ruim. O que aumenta o colesterol ruim é a forma de preparação do ovo. A luteína (parte amarela do ovo) é excelente para manter a visão. Ele não usa óculos e tem 65 anos.

AZEITE DE OLIVA O azeite de oliva é outro excelente aliado para que se tenha uma boa saúde. Ele tem que ter quatro importantes características: PRENSADO A FRIO EXTRA VIRGEM VIDRO ESCURO (o vidro claro expõe o azeite à luz, oxidando-o) E NUNCA VIR EM LATA (a lata libera metal pesado) Deve-se tomar entre duas a três colheres de azeite por dia para viver mais e melhor.

VINHO Outro aliado importante, usado na dieta mediterrânea, é o vinho. O vinho contém RESVERATROL. O resveratrol é uma substância que estimula os genes da longevidade. Quando ativados, a pessoa vive mais tempo.

CEBOLA A secretina, presente na cebola, também estimula esse gene.

CHÁ VERDE Importantíssimo para ter uma vida mais longa e a saudável. Quem faz uso do chá verde dificilmente vai ter câncer.

SOL Outra dica, o SOL. O sol é um grande aliado da vida saudável. Ele nos dá a vitamina D3 que previne a osteosporose. Nossos antepassados tomavam sol e tinham mais saúde. Devemos tomar sol todos os dias, não exageradamente, é claro. Quando não havia antibióticos as pessoas se curavam da tuberculose, da sífilis, da psoríase com sol.
Dr.Lair termina a sua palestra afirmando:

EVITE O MAL, FAÇA O BEM, VIVA SUA VIDA EXTRAORDINARIAMENTE.

Fique com Deus, beijinhos doces e carinhosos.

9.2.13

HIPOTIREOIDISMO/HIPERTIREOIDISMO


ENTREVISTA
Marcello Bronstein é médico e professor de Endocrinologia da Faculdade de Medicina da Universidade São Paulo. A+a-

A glândula tireoide é importantíssima para o funcionamento harmônico do organismo. Ela se situa na parte inferior do pescoço, bem perto de onde começa o osso esterno, fica apoiada na traqueia e ao lado da artéria carótida.
A tireoide possui dois lobos, o esquerdo e o direito, que juntos assumem o formato de uma borboleta de asas abertas ou de um escudo. Na verdade, seu nome deriva da palavra grega thureós que significa escudo.
Os hormônios liberados pela tireoide são responsáveis por uma série de funções orgânicas. Eles garantem que coração, cérebro e muitos outros órgãos exerçam suas funções adequadamente. Superprodução dos hormônios tireoidianos provoca no organismo um distúrbio, o hipertireoidismo, e produção abaixo da quantidade necessária, o hipotireoidismo.
O hormônio da tireoide chama-se tireoxina e é fundamental para o metabolismo, ou seja, o conjunto de reações necessárias para assegurar todos os processos bioquímicos que ocorrem no nosso corpo.
Hoje, parece que há uma epidemia de problemas da tireoide, uma epidemia de hipotireoidismo e da incidência de nódulos na tireoide, que atinge especialmente as mulheres.

FALSA IDEIA DE EPIDEMIA

Drauzio – Existe realmente essa epidemia de problemas da tireóide atualmente?

Marcello Bronstein - Quando se fala em epidemia, dá-se a impressão de que, de repente, se tornou mais comum o aparecimento de problemas da tireoide. Isso não é necessariamente verdade. Acontece que os métodos de diagnóstico, quer laboratoriais, quer por imagem, estão cada vez mais aperfeiçoados e pequenas alterações que não eram detectadas no passado, agora são percebidas com clareza. Com isso, o número de pessoas com alterações mínimas e subclínicas da tireoide aumentou. Por outro lado, e eu diria que infelizmente, há um excesso de requisições de exames não necessários que levam ao diagnóstico de “problemas” que, na verdade, não são problemas. Eu diria, então, que não há propriamente uma epidemia. O que há é um aumento considerável de pedido de exames e uma tecnologia mais avançada que permitem a detecção de situações subclínicas.

Drauzio – Somos do tempo em que os médicos examinavam a tireoide com as mãos. Eles mandavam o paciente engolir, sentiam o tamanho da glândula e, às vezes, surpreendiam alguns nódulos que já tinham, no mínimo, um centímetro. Que alterações o ultrassom trouxe para o diagnóstico e em que isso mudou a prática médica?

Marcello Bronstein – Embora nódulos muito pequenos não sejam detectados pela apalpação, continuo sendo do tempo em que esse é o exame mais importante da tireoide. Temos que admitir que apenas 5% dos nódulos tireoidianos são palpáveis no exame clínico, número que cresce muito se o ultrassom for utilizado. Só para ter uma ideia da frequência com que ocorrem no sexo feminino, mulheres com mais de 40 anos têm cerca de 40% de probabilidade de apresentar nódulos na tireoide; acima dos 50 anos, esse número sobe para 50% e depois dos 70 anos, praticamente 90% delas têm nódulos na tireoide que podem estar localizados superficial ou profundamente. É claro que um nódulo superficial, mesmo que bem pequeno, pode ser palpado mais facilmente do que outro de dimensões maiores, mas mais profundo. Por isso, o exame com ultrassom fez com que o número de casos diagnosticados aumentasse muito. O dilema é o que fazer depois de detectado o nódulo, uma vez que ele vai ser encontrado em praticamente metade da população acima dos 40 anos.
Isso é uma epidemia? Não é. É uma situação que veio à tona desencadeada pelo avanço da tecnologia. Nódulos não palpáveis são detectados atualmente na tireóide, porque se pediu um ultrassom sem necessidade ou ele foi pedido com outro objetivo, por exemplo, o de avaliar a incidência ou não de aterosclerose nas carótidas, artérias que passam ao lado da tireoide.
A grande questão é se isso não representa um progresso no momento em que se prestigia a prevenção. Será que realmente a detecção precoce não traz a possibilidade de cura definitiva? Vou responder citando alguns números. Apenas de 15% a 20% dos nódulos de tireoide são malignos. Não é um índice desprezível, mas, quando se fala em câncer, faz muita diferença ser um câncer de pâncreas ou de tireoide. A agressividade do câncer de tireoide é, em geral, muito baixa, tanto que cerca de 5% da população que morreu de gripe, infarto, dengue ou atropelada, quando submetidos à autópsia, apresentam nódulos malignos assintomáticos na tireoide.

TUMORES DE TIREOIDE SÃO INDOLENTES

Drauzio - Um dos problemas que se enfrenta na clínica é atender pessoas que, por causa de um ultraSsom com nódulos, pediu-se uma biópsia. Esse exame realmente deve ser sempre indicado?

Marcello Bronstein – Na maioria das vezes, o câncer de tireoide, quando existe, é indolente. A grande indicação do ultrassom e, eventualmente da punção para biopsia, são os nódulos palpáveis porque são esses que em geral medem mais de um centímetro, os mais sujeitos a desenvolver câncer. A probabilidade diminui nos nódulos menores e mais ainda quando existem vários nódulos.
As estatísticas comprovam que nódulo isolado costuma apresentar risco maior, mas já existem recursos ultrassonográficos que permitem dizer, através das características ecogênicas que apresenta, se tem maior ou menor possibilidade de ser maligno.
No exame por ultrassom, o som emitido produz um reflexo que projeta um desenho do órgão que está sendo examinado. No caso específico da tireoide, dependendo do formato desse desenho, pode-se saber qual a probabilidade de determinado nódulo ser ou não maligno. Desse modo, muitas vezes é possível fechar o diagnóstico apenas com resultado do exame de ultrassom. A punção deve ser indicada quando o ultrasssom não foi suficiente para esclarecer o caso ou para as pessoas de maior risco, com história familiar de câncer de tireoide ou exposição à radioatividade.
De modo geral, só peço ultrassom quando apalpo o nódulo. Se a pessoa já fez o exame a pedido de outro profissional, analiso um conjunto de dados – sexo, idade, tamanho e aspecto do nódulo no ultrassom – e decido sobre a necessidade da punção para identificar se o nódulo é maligno ou benigno.

IMPORTÂNCIA DA DOSAGEM DO TSH

Drauzio – Há anos li um artigo que me convenceu da necessidade de incluir o pedido de dosagem do hormônio TSH na lista de exames de rotina que as pessoas devem fazer especialmente acima dos 40 anos e fiquei muito surpreso com a quantidade de pessoas absolutamente normais, sem sintoma algum da doença, que apresentam resultado compatível com hipotireoidismo ou hipertireoidismo. É mesmo importante pedir dosagem de TSH no sangue?

Marcello Bronstein – O TSH, sigla para Thyroid Stimulanting Hormone ou Hormônio Estimulador da Tireoide, é um hormônio fabricado pela hipófise, uma glândula que fica no meio do cérebro, bem pequenininha, mas que controla o funcionamento de várias outras glândulas como testículos, ovários, suprarrenais e a tireoide. Existe um sincronismo entre a produção de TSH e a tireoide semelhante ao funcionamento do termostato da geladeira, que liga e desliga automaticamente de acordo com a flutuação da temperatura interna do aparelho. Da mesma maneira, o TSH estimula a tireoide para produzir os hormônios T3 e T4 que, uma vez fabricados, inibem a produção de TSH.
Se a fabricação de hormônios pela tireoide for prejudicada por uma inflamação, por exemplo, haverá um aumento de TSH para tentar corrigir essa deficiência. Esse é o primeiro estágio de hipotireoidismo subclínico caracterizado pela manutenção do nível normal de hormônios da tireoide à custa da elevação do TSH.
Como você observou, a frequência dessa constatação é muito grande e ajuda a fortalecer a ideia de epidemia, uma vez que 3% dos homens, 7,5% das mulheres abaixo dos 45 anos, 10% delas acima dos 45 anos e 20% acima dos 75 anos manifestam esse tipo de problema. Como se pode notar, as doenças de tireoide incidem mais nas mulheres do que nos homens numa proporção de cinco, seis ou sete mulheres para cada homem.

Drauzio – Você recomenda que esse exame de TSH seja feito de rotina em pessoas acima de 40 anos?

Marcello Bronstein – Em todas as pessoas acima de 40 anos, principalmente porque no hipotireoidismo subclínico já aparecem alguns sintomas como cansaço, depressão leve e adinamia (falta de iniciativa). Quando a tireoide entra num processo de falência maior, a produção de TSH sobe, diminui a de hormônios tireoidianos e instala-se o hipotireoidismo clínico que apresenta quadros bem manifestos de depressão, pele seca e fria, prisão de ventre, falta de vontade de levantar e coração batendo mais lento. A pessoa fala devagar e sua voz engrossa, como se fosse um disco em baixa rotação. A presença desses sintomas, em geral, torna mais fácil o diagnóstico. O mais importante, porém, é que esse diagnóstico seja feito na fase subclínica.

SINTOMAS DO HIPOTIREOIDISMO E DO HIPERTIREOIDISMO

Drauzio – O perigo é que esses sintomas são sutis no início. A pessoa sente um pouco de cansaço, de indisposição, uma leve depressão e atribui tudo às vicissitudes da vida moderna. Como se trata de um processo gradativo, elas se acostumam com o que estão sentindo e não buscam ajuda.

Marcello Bronstein – Isso acontece mesmo, o que torna fundamental lembrar sempre da possibilidade de um distúrbio da tireoide. O hipotireoidismo clínico é bem menos frequente. Cerca de 1% dos casos atinge mulheres jovens; 2%, mulheres acima de 40 anos e 5%, as que têm mais de 60 anos de idade. Então, à medida que envelhecemos, a tireoide deve ser avaliada.

No entanto, é importante destacar a existência de um mito folclórico segundo o qual as pessoas obesas não conseguem emagrecer por causa de problemas na tireoide, porque isso não é verdade. O porcentual de hipotireoidismo subclínico é alto, mas ele não leva à obesidade. Embora o metabolismo fique mais lento, a pessoa come menos, pois sente menos fome. Seu peso aumenta, porque ela incha e forma o que chamamos de mixedema. Em vista disso, tratamento para combater a obesidade com hormônios de tireoide deve ser rigorosamente condenado.

Drauzio – Vamos ressaltar os principais sintomas do hipotireoidismo?

Marcello Bronstein – No hipotireodismo, diminui a produção de hormônios da tireoide e como eles são fundamentais para a ativação do metabolismo ocorre uma diminuição geral da atividade do organismo. Decrescem a atividade cerebral e a frequência do batimento cardíaco. A pessoa pensa mais lentamente, tem tendência à depressão e à sonolência. Há também maior deposição de líquidos no corpo, o que provoca o edema característico do mixedema. O aumento de peso deriva mais desse edema do que propriamente do acúmulo de gordura. A pele fica fria e seca e os reflexos, mais vagarosos. Além disso, verificam-se alterações menstruais e na potência e libido dos homens.

Drauzio – Nas fases mais avançadas, o hipotireoidismo pode ser uma doença grave?

Marcello Bronstein – Pode ser grave e fatal. No estágio final da doença, os pacientes tornam-se mixedematosos, entram em coma e o tratamento pode ser infrutífero.

Drauzio – O hipertireoidismo também pode ser detectado pelo exame do TSH?

Marcello Bronstein – Nos casos de hipertireoidismo, o TSH está suprimido porque o excesso de hormônios de tireoide inibe o funcionamento da hipófise. Os sintomas são opostos aos do hipotireodismo. Há uma hiperativação do organismo. A pessoa fica nervosa e irritadiça, dorme pouco, tem taquicardia, seu coração bate rápido. Como apresenta intolerância ao calor, numa sala em que todos estão com frio, ela transpira muito. Além disso, perde peso, principalmente à custa de proteínas e dos músculos. Essa é mais uma razão para não usar hormônio da tireoide quando se quer emagrecer, porque é maior a queima dos músculos do que a da gordura.

HORMÔNIO TIREIDIANO NOS REGIMES PARA EMAGRECER

Drauzio – A quantidade de médicos que receita hormônio tireoidiano, especialmente as fórmulas aviadas em farmácia, nos regimes para emagrecer, é imensa.

Marcello Bronstein – Na verdade, a composição da fórmula emagrecedora fica a critério do médico. Infelizmente, a maior parte inclui o hormônio tireoidiano.

Drauzio – Quais são as consequências de tomar esse hormônio por tempo prolongado?

Marcello Bronstein – Se a quantidade for pequena, simplesmente estaremos trocando seis por meia dúzia, uma vez que, se inibirmos o funcionamento da hipófise, a tireoide para de funcionar e a pessoa substitui os hormônios que seu organismo produz por aqueles que está recebendo na pílula.
Quantidade acentuada de hormônios ingeridos pode desencadear o hipertireoidismo, ou seja, um excesso de funcionamento farmacológico da tireoide chamado de tirotoxicose.
É importante lembrar que pessoas predispostas acima de 60 anos correm risco maior de fibrilação, arritmia cardíaca e infarto, pois a aceleração do metabolismo aumenta a necessidade de oxigênio, sobrecarregando o coração.

Drauzio – Você recomenda que os médicos peçam de rotina a realização do exame TSH para pessoas acima de 40 anos, especialmente para as mulheres pela maior prevalência de hipotireoidismo. Com que frequência esse exame deve ser feito?

Marcello Bronstein – Isso vai depender muito de cada caso, mas como é recomendável checar colesterol, triglicérides, glicemia anualmente, eu diria que o exame de TSH deve ser pedido uma vez por ano, junto com os outros exames.

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO TRATAMENTO

Drauzio – Vamos falar um pouco do tratamento. Se o valor de TSH estiver elevado, o que se deve fazer?

Marcello Bronstein – Se o resultado for elevado, temos de pedir necessariamente o exame do T4, o hormônio da tireoide. Se ele estiver normal, o diagnóstico é hipotireoidismo subclínico ou inicial. Antes, havia muita controvérsia a respeito de começar o tratamento nesse estágio da doença, porque não havia dados suficientes de que ela pudesse ser prejudicial. Hoje, não há dúvida, principalmente se o TSH estiver acima de 6, uma vez que o valor normal vai até 4. Resultado baixo no exame do hormônio T4 é característica de hipotireoidismo clínico ou manifesto e deve ser tratado da mesma forma que o subclínico, ou seja, com reposição de hormônios tireoidianos.
Minha experiência indica que para o hipotireoidismo subclínico, em geral, uma dose muito pequena de hormônio é o bastante. É um tratamento gratificante, porque o que a pessoa toma não é propriamente uma droga estranha ao organismo com possíveis efeitos colaterais. Ela toma exatamente o hormônio que a tireoide deixou de fabricar ou está fabricando em quantidade insuficiente. Portanto, não há reações indesejáveis e os resultados são excelentes se o hormônio for tomado de preferência em jejum e com regularidade.

Drauzio – Esse hormônio deve ser tomado pela vida toda?

Marcello Bronstein – Em geral, pela vida toda. O hipotireoidismo, uma vez instalado, é permanente. Entretanto, existem algumas formas de hipotireoidismo, principalmente as que se manifestam no pós-parto, que são transitórias. Trata-se, porém, de uma minoria que consegue recuperar a função da tireoide.

Drauzio – E no caso de se encontrar um TSH muito baixo?

Marcello Bronstein – Se o TSH estiver baixo e os hormônios da tireoide ainda estiverem nos limites normais, poderíamos caracterizar um hipertireoidismo subclínico. O tratamento vai depender da causa do distúrbio e deve ser efetuado principalmente na terceira idade pelo risco de arritmias cardíacas e/ou osteoporose. É óbvio que, se os hormônios da tireóide estiverem elevados, está caracterizado o hipertireoidismo clínico que obrigatoriamente deve ser tratado.

Drauzio – Que precauções devem ser tomadas se há casos de hipertireoidismo ou hipotireoidismo na família?

Marcello Bronstein – É preciso dar ênfase maior ao exame de TSH e mesmo antecipá-lo no caso de pessoas mais jovens. A causa mais comum do hipotireoidismo é chamada de Tireoidite de Hashimoto, nome do médico japonês que a identificou. Como o sufixo “ite” indica, trata-se de uma inflamação da tireóide que provoca a redução paulatina de seu tamanho até a glândula perder sua função. A Tireoidite de Hashimoto faz parte das doenças autoimunes ou de autoagressão, que têm a incidência aumentada em pessoas da mesma família.

CARÊNCIA DE IODO E CRESCIMENTO DO BÓCIO

Drauzio – No passado, era frequente encontrar nos hospitais-escola pessoas com bócio. Hoje, esses casos são mais raros. Por quê?

Marcello Bronstein – Uma das substâncias fundamentais para a produção do hormônio da tireoide é o iodo presente na alimentação. Assim, se a pessoa viver numa zona onde haja carência de iodo, a tireoide não vai fabricar o hormônio e a hipófise vai estimulá-la para que supra essa deficiência. Resultado: crescimento do bócio indicativo do aumento de volume da glândula.
Felizmente, com a obrigatoriedade da iodação do sal de cozinha, a ocorrência desses quadros de bócio endêmico diminuiu muito, mas ainda se verifica em regiões centrais quer do Brasil, quer da Europa. É interessante notar que tanto a falta quanto o excesso de iodo podem levar ao hipotireoidismo.

Drauzio – Como se pode consumir exageradamente iodo?

Marcello Bronstein – Em geral, não há razão nenhuma para se ter excesso de iodo na alimentação. Casos esporádicos, porém, não de consumo de iodo, mas de hormônio da tireoide podem desencadear esse processo. Um deles, a síndrome do hambúrguer, aconteceu nos Estados Unidos. Ela se caracterizou por uma concentração maior de iodo contida provavelmente em algum conservante empregado na fabricação desse alimento.


Fonte: drauziovarella.com.br

1.2.13


SextaFevereiro 012013

PINEAL - A UNIÃO DO CORPO E DA ALMA

Frequentemente, a glândula pineal surge como o centro de nosso relacionamento com outras dimensões, e tem sido assim nas mais variadas correntes religiosas e místicas, há milhares de anos. O especialista no assunto, dr. Sérgio Felipe de Oliveira, conversou conosco sobre o assunto, mostrando os avanços da ciência no sentido de desvendar esse mistério.

- Paula Calloni de Souza

O mistério não é recente. Há mais de dois mil anos, a glândula pineal, ou epífise, é tida como a sede da alma. Para os praticantes do ioga, a pineal é o ajna chakra, ou o "terceiro olho", que leva ao autoconhecimento. O filósofo e matemático francês Renê Descartes, em Carta a Mersenne, de 1640, afirma que "existiria no cérebro uma glândula que seria o local onde a alma se fixaria mais intensamente".

Atualmente, as pesquisas científicas parecem ter se voltado definitivamente para o estudo mais atento desta glândula. Estaria a humanidade próxima da comprovação científica da integração entre o corpo e a alma? Haveria um órgão responsável pela interação entre o homem e o mundo espiritual? Seria a mediunidade, de fato, um atributo biológico e não um conceito religioso, como postulou Allan Kardec?Para responder a estas e outras perguntas, a revista Espiritismo & Ciência conversou com o psiquiatra e mestre em Ciências pela Universidade de São Paulo, dr. Sérgio Felipe de Oliveira. Diretor-clínico do Instituto Pineal Mind, e diretorpresidente da AMESP (Associação Médico-Espírita de São Paulo), Sérgio Felipe de Oliveira é um dos maiores pesquisadores na área de Psicobiofísica da USP, e vem ganhando destaque nos meios de comunicação com suas pesquisas acerca do papel da glândula pineal em fenômenos ligados à mediunidade.

Fale um pouco sobre seu trabalho à frente da AMESP e do Instituto Pineal Mind.

A AMESP é uma associação de utilidade pública que reúne médicos dedicados ao estudo da relação entre a medicina e a espiritualidade. O Pineal Mind é minha clínica, um instituto de saúde mental, onde fazemos pesquisas e atendemos psicoses, síndromes cerebro-vasculares, ansiedades, depressão, psicoses infantis, uso de drogas e álcool. Temos um setor de psiconcologia (psicologia aplicada ao câncer) e estudamos também os aspectos psicossomáticos ligados à cardiologia, etc. Agora, particularmente nas pesquisas comportamentais, eu estudo os estados de transe e a mediunidade. Mas não pesquiso só a glândula pineal; ela é o que eu pesquiso no cérebro, interessado em entender a relação entre corpo e espírito.


O que é psicobiofísica?

É a ciência que integra a psicologia, a física e a biologia. Na biologia, estudamos o lobo frontal, responsável pela crítica da razão; mas o cérebro funciona eletricamente - aí entra a física, que serve de substrato para o pensamento crítico, que é o psicológico.

Quando surgiu seu interesse no aprofundamento do estudo da pineal?

Foi por volta de 1979/80, quando eu estava estudando a obra de André Luiz, psicografada por Chico Xavier. Em Missionários da Luz, a pineal é claramente citada. Nesta mesma época, eu já pleiteava o curso de Medicina. No colégio, estudando Filosofia, fiquei impressionado com a obra de Descartes, que dizia que a alma se ligava ao corpo pela pineal.Quando entrei na faculdade, corri atrás destas questões, do espiritual, da alma e de como isso se integra ao corpo.

O que é a glândula píneal, onde está localizada e qual a sua função no organismo?

A pineal está localizada no meio do cérebro, na altura dos olhos. Ela é um órgão cronobiológico, um relógio interno. Como ela faz isso? Captando as radiações do Sol e da Lua. A pineal obedece aos chamados Zeitbergers, os elementos externos que regem as noções de tempo. Por exemplo, o Sol é um Zeitberger que influencia a pineal, regendo 0 ciclo de sono e de vigília, quando esta glândula secreta o hormônio melatonina. Isso dá ao organismo a referência de horário. Existe também o Zeitberger interno, que são os genes, trazendo o perfil de ritmo regular de cada pessoa. Agora, o tempo é uma região do espaço. A dimensão espaço-tempo é a quarta dimensão. Então, a glândula que te dá a noção de tempo está em contato com a quarta dimensão. Faz sentido perguntarmos: "Será que a partir da quarta dimensão já existe vida espiritual?" Nós vivemos em três dimensões e nos relacionamos com a quarta, através do tempo. A pineal é a única estrutura do corpo que transpõe essa dimensão, que é capaz de captar informações que estão além dessa dimensão nossa. A afirmação de Descartes, do ponto em que a alma se liga ao corpo, tem uma lógica até na questão física, que é esta glândula que lida com a outra dimensão, e isso é um fato.

Outros animais possuem a epífise? Ela está relacionada á consciência?

Todos os animais têm essa glândula; ela os orienta nos processos migratórios, por exemplo, pois ela sintoniza o campo magnético. Nos animais, a glândula pineal tem fotorreceptores iguais aos presentes na retina dos olhos, porque a origem biológica da pineal é a mesma dos olhos, é um terceiro olho, literalmente.

Esta glândula seria resquício de algum órgão que está se atrofiando, ou estaria ligada a uma capacidade psíquica a ser desenvolvida?

Eu acredito que a pineal evoluiu de um órgão fotorreceptor para um órgão neuroendócrino. A pineal não explica integralmente o fenômeno mediúnico, como simplesmente os olhos não explicam a visão. Você pode ter os olhos perfeitos, mas não ter a área cerebral que interprete aquela imagem. É como um computador: você pode ter todos os programas em ordem, mas se a tela não funciona, você não vê nada. A pineal, no que diz respeito à mediunidade, capta o campo eletromagnético, impregnado de informações, como se fosse um telefone celular. Mas tudo isso tem que ser interpretado em áreas cerebrais, como por exemplo, o córtex frontal. Um papagaio tem a pineal, mas não vai receber um espírito, porque ele não tem uma área no cérebro que lhe permita fazer um julgamento. A mediunidade está ligada a uma questão de senso-percepção.

Então, a ela não basta a existência da glândula pineal, mas sim, todo o cone que vai até o córtex frontal, que é onde você faz a crítica daquilo que absorve. A mediunidade é uma função de senso (captar)-percepção (faz a crítica do que está acontecendo). Então, a mediunidade é uma função humana.

A pineal converte ondas eletromagnéticas em estímulos neuroquímicos? Isso é comprovado cientificamente?

Sim, isso é comprovado. Quem provou isso foram os cientistas Vollrath e Semm, que têm artigos publicados na revista científica Nature, de 1988.

A parapsicologia diz que estes campos eletromagnéticos podem afetar a mente humana. O dr. Michael Persinger, da Laurentian University, no Canadá, fez experiências com um capacete que emite ondas eletromagnéticas nos lobos temporais. As pessoas submetidas a essas experiências teriam tido "visões" e sentiram presenças espirituais. O dr. Persinger atribui esses fenômenos à influência dessas ondas eletromagnéticas O que o senhor teria a dizer sob isso?

Veja, o espiritual age pelo campo eletromagnético. Então, dizer que este campo interfere no cérebro não contraria a hipótese de uma influência espiritual. Porque, se há uma interferência espiritual, esta se dá justamente pelo campo eletromagnético. Quando se fala do espiritual, em Deus, a interferência acontece na natureza pelas leis da própria natureza. Se o campo magnético interfere no cérebro, a espiritualidade interfere no cérebro PELO campo magnético. Uma coisa não anula a outra. Pelo contrário, complementam-se.

A mediunidade seria atributo biológico e não um conceito religioso? Existe uma controvérsia no meio cientifico a esse respeito?

A mediunidade é um atributo biológico, acredito, que acontece pelo funcionamento da pineal, que capta o campo eletromagnético, através do qual a espiritualidade interfere. Não só no espiritismo, mas em qualquer expressão de religiosidade, ativa se a mediunidade, que é uma ligação com o mundo espiritual.

Um hindu, um católico, um judeu ou um protestante que estiver fazendo uma prece, está ativando sua capacidade de sintonizar com um plano espiritual. Isso é o que se chama mediunidade, que é intermediar. Então, isso não é uma bandeira religiosa, mas uma função natural, existente em todas as religiões. E isso deve acontecer através do campo magnético, sem dúvida. Se a espiritualidade interfere, é pelo campo eletromagnético, que depois é convertido, pela pineal, em estímulos eletroneuroquímicos. Não existe controvérsia entre ciência e espiritualidade, porque a ciência não nega a vida após a morte. Não nega a mediunidade. Não nega a existência do espírito. Também não há uma prova final de que tudo isto existe. Não existe oposição entre o espiritual e o científico. Você pode abordar o espiritual com metodologia científica, e o espiritismo sempre vai optar pela ciência. Essa é uma condição precípua do pensamento espírita. Os cientistas materialistas que disserem "esta é minha opinião pessoal", estarão sendo coerentes. Mas se disserem que a opção materialista é a opinião da ciência, estarão subvertendo aquilo que é a ciência. A American Medicai Association, do Ministério da Saúde dos EUA, possui vários trabalhos publicados sobre mediunidade e a glândula pineal. O Hospital das Clínicas sempre teve tradição de pesquisas na área da espiritualidade e espiritismo. Isso não é muito divulgado pela imprensa, mas existe um grupo de psiquiatras lá defendendo teses sobre isso.

Como são feitas as experiências em laboratório?

Existem dois tipos: um, que é a experiência de pesquisa das estruturas do cérebro, responsáveis pela integração espírito/corpo; e outra, que é a pesquisa clínica, das pessoas em transe mediúnico. São testes de hormônios, eletroencefalogramas, tomografias, ressonância magnética, mapeamento cerebral, entre outros. A coleta de hormônios, por exemplo, pode ser feita enquanto o paciente está em estado de transe. E os resultados apresentam alterações significativas.

As alterações em exames de tomografia, por exemplo, são exclusivas ou condizentes com outras patologias? O senhor descarta a hipótese de uma crise convulsiva?

Isso é bem claro: a suspeita de uma interferência espiritual surge quando a alteração nos exames não justifica a dimensão ou a proporção dos sintomas. Por exemplo: o indivíduo tem uma crise convulsiva fortíssima, é feito o eletroencefalograma e aparece uma lesão pequena. Não há, então, uma coerência entre o que está acontecendo e o que o exame está mostrando. A reação não é proporcional à causa. A mediunidade mexe com o sistema nervoso autônomo - descarga de adrenalina, aceleração do ritmo cardíaco, aumento da pressão arterial.

Como o senhor diferencia doença mental de mediunidade?

Na doença mental, o paciente não tem crítica da razão; no transe mediúnico, ele tem essa crítica. Quando o médium diz que incorporou tal entidade espiritual, mas que ele, médium, continua sendo determinada pessoa, ele usou a crítica, julgou racionalmente o que aconteceu. Agora, um indivíduo que diz ser Napoleão Bonaparte? Aí ele perdeu a crítica da razão. Essa é a diferença. O que não quer dizer que o indivíduo que esteja em psicose não possa estarem transe também. A mediunidade se instala no indivíduo são, ou pode dar uma dimensão muito maior a uma doença. A mediunidade sempre vai dar um efeito superlativo. Se a pessoa alimenta bons sentimentos, ela cresce. Se ela tem uma doença, aquela doença pode ficar fora de controle.

É verdade que a pineal se calcifica com a meia-idade? E essa calcificação prejudica a mediunidade?

Não, a pineal não se calcifica; ela forma cristais de apatita, e isso independe da idade. Estes cristais têm a ver com o perfil da função da glândula. Uma criança pode ter estes cristais na pineal em grande quantidade enquanto um adulto pode não ter nada. Percebemos, pelas pesquisas, que quando um adulto tem muito destes cristais na pineal, ele tem mais facilidade de seqüestrar o campo eletromagnético. Quando a pessoa tem muito desses cristais e sequestra esse campo magnético, esse campo chega num cristal e ele é repelido e rebatido pelos outros cristais, e este indivíduo então apresenta mais facilidade no fenômeno da incorporação. Ele incorpora o campo com as informações do universo mental de outrem. É possível visualizar estes cristais na tomografia. Observamos que quando o paciente tem muita facilidade de desdobramento, ele não apresenta estes cristais.

As crianças teriam mais sensibilidade mediúnica?

A mediunidade na criança é diferente da de um adulto. É uma mediunidade anímica, é de saída. Ela sai do corpo e entra em contato com o mundo espiritual.

A pineal pode ser estimulada com a entoação de mantras, como pregam os místicos?

A glândula está localizada em uma área cheia de líquido. Talvez o som desses mantras faça vibrar o líquido, provocando alguma reação na glândula. Os cristais também recebem influências de vibração. Deve vibrar o líquor, a glândula, alterando o metabolismo. Teria lógica.

Em que se concentrarão seus próximos estudos?

Estou preparando um estudo sobre Cronogenética da Reencarnação. Mas, sobre isso, falarei mais detalhadamente em 2003, durante o Congresso Médico-Espírita.


Revista Espiritismo & Ciência
Número 3
Páginas 22-27
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