Música Celtica

Exercícios Terapêuticos

Exercícios Terapêuticos
O universo está em constante movimento. O movimento significa vida. O movimento de uma espiral de energia vitaliza a célula única que marca o início de nosso tipo de vida humana. À medida que esse tipo de vida evolui, nós nos constituímos em um ser que constantemente troca energia com o cosmo. À medida que esta energia passa através de nós, ela nos alimenta, nos nutri e cria o movimento interno e externo de nossas vidas. Na expressão natural deste intercâmbio encontramos nossa saúde. O intercâmbio de energia é aumentado pelo movimento, e o movimento perfeito do corpo é uma extensão do interior para o exterior enquanto recebe estímulos que movem do exterior para o interior. (Greg Broòshy)

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31.1.12

Entrevista com Dr. Paulo Niemeyer Filho


A entrevista é longa, mas muito interessante.
Precisamos incluir em nosso check-up um exame que se chama investigação cerebral.
Orientação do neuro cirurgião Dr. Paulo Niemeyer Filho.

O neurocirurgião Paulo Niemeyer Filho conta os avanços nos tratamentos de doenças
como o mal de Parkinson e como evitar aneurisma e perda de memória.
E projeta, ainda, o futuro próximo, quando boa parte do sistema neurológico estará
sob controle do homem.
Chegar à casa do neurocirurgião Paulo Niemeyer Filho, no alto da Gávea,
no Rio de Janeiro, é uma emoção. A começar pela vista deslumbrante da
cidade, passando pelos macacos que passeiam pelos galhos até avistar as
orquídeas que caem em pencas das árvores, colorindo todo o jardim.
Ou seja: a competência desse médico, com 33 anos de profissão, que dedica
sua vida à medicina com a paixão de um garoto, pode ser contada em flores.
E são muitas.
Filho do lendário neurocirurgião Paulo Niemeyer, pioneiro da microneurocirurgia
no Brasil, e sobrinho do arquiteto Oscar Niemeyer, Paulo escolheu a medicina ainda
adolescente.
Aos 17 anos, entrou na Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Quinze dias depois de formado, com 23 anos, mudou-se para a Inglaterra, onde foi
estudar neurologia na Universidade de Londres.
De volta ao Brasil, fez doutorado na Escola Paulista de Medicina. Ao todo,
sua formação levou 20 anos de empenho absoluto.
Mas a recompensa foi à altura. Apaixonado por seu ofício, Paulo chefia hoje os
serviços de neurocirurgia da Santa Casa do Rio de Janeiro e da
Clínica São Vicente, onde atende e opera de segunda a sábado, quando não
há uma emergência no domingo,
e ainda encontra tempo para dar aulas no curso de pós-graduação em neurocirurgia
na PUC-Rio.

Por suas mãos já passaram o músico Herbert Vianna - de quem cuidou em 2001,
depois do acidente de ultraleve em Mangaratiba, litoral do Rio -, o ator e diretor
Paulo José, a atriz Malu Mader e, mais recentemente, o diretor de televisão Estevão
Ciavatta - marido da atriz Regina Casé que, depois de um tombo do cavalo,
recupera-se plenamente -, além de centenas de outros pacientes, muitos deles
representados pelas belas flores que enchem de vida o seu jardim.

Revista PODER: Seu pai também era neurocirurgião. Ele o influenciou?

PAULO NIEMEYER: Certamente. Acho que queria ser igual a ele, que era o meu ídolo.

PODER: Seu pai trabalhou até os 90 anos. A idade não é um complicador para um
neurocirurgião? Ela não tira a destreza das mãos, numa área em que isso é crucial?

PN: A neurocirurgia é muito mais estratégia do que habilidade manual.
Cada caso tem um planejamento específico e isso já é a metade do resultado.
Você tem de ser um estrategista..

PODER: O que é essa inovação tecnológica que as pessoas estão chamando de
marcapasso do cérebro?

PN: Tem uma área nova na neurocirurgia chamada neuromodulação, o que
popularmente se chama de marcapasso, mas que nós chamamos de
estimulação cerebral profunda. O estimulador fica embaixo da pele e são
colocados eletrodos no cérebro, para estimular ou inibir o funcionamento
de alguma área. Isso começou a ser utilizado para os pacientes de Parkinson.
Quando a pessoa tem um tremor que não controla, você bota um eletrodo
no ponto que o está provocando, inibe essa área e o tremor pára.
Esse procedimento está sendo ampliado para outras doenças. Daqui a
um ou dois anos, distúrbios alimentares como obesidade mórbida e
anorexia nervosa vão ser tratados com um estimulador cerebral.
Porque não são doenças do estômago, e sim da cabeça.

PODER: O que se conhece do cérebro humano?

PN: Hoje você tem os exames de ressonância magnética, em que
consegue ver a ativação das áreas cerebrais, e cada vez mais o
cérebro vem sendo desvendado.

Ainda há muito o que descobrir, mas com essas técnicas de estimulação
você vai entendendo cada vez mais o funcionamento dessas áreas.
O que ainda é um mistério é o psiquismo, que é muito mais complexo.
Por que um clone jamais será igual ao original?

Geneticamente será a mesma coisa, mas o comportamento depende
muito da influência do meio e de outras causas que a gente nunca vai
desvendar totalmente.

PODER: Existe uma discussão entre psicanalistas e psiquiatras, na qual
os primeiros apostam na melhora por meio da investigação da subjetividade,
e os últimos acreditam que boa parte dos problemas psíquicos se resolve com
remédios.. Qual é sua opinião?

PN: Há casos de depressão que são causados por tumores cerebrais: você opera
e o doente fica bem. Há casos de depressão que são causados por deficiência
química: você repõe a química que está faltando e a pessoa fica bem.
Numa época em que se fazia psicocirurgia existiam doentes que ficavam
trancados num quarto escuro e quando faziam a cirurgia se livravam da
depressão e nunca mais tomavam remédio. E há os casos que são puramente
psíquicos,emocionais, que não têm nenhuma indicação de tomar remédio.

PODER: Já existe alguma evolução na neurologia por causa das células-tronco?

PN: Muito pouco. O que acontece com as células-tronco é que você
não sabe ainda como controlar. Por exemplo: o paciente tem um déficit
motor, uma paralisia, então você injeta lá uma célula-tronco, mas não
consegue ter certeza de que ela vai se transformar numa célula que faz
o movimento. Ela pode se transformar em outra coisa, você não tem o
controle, ainda.

PODER: Existe alguma coisa que se possa fazer para o cérebro funcionar
melhor?

PN: Você tem de tratar do espírito. Precisa estar feliz, de bem com a vida,
fazer exercício. Se está deprimido, com a autoestima baixa, a primeira coisa
que acontece é a memória ir embora; 90% das queixas de falta de memória

são por depressão, desencanto, desestímulo. Para o cérebro funcionar melhor,
você tem de ter motivação. Acordar de manhã e ter desejo de fazer alguma coisa,
ter prazer no que está fazendo e ter a autoestima no ponto.

PODER: Cabeça tem a ver com alma?

PN: Eu acho que a alma está na cabeça. Quando um doente está com morte cerebral,
você tem a impressão de que ele já está sem alma... Isso não dá para explicar,
o coração está batendo, mas ele não está mais vivo.

PODER: O que se pode fazer para se prevenir de doenças neurológicas?

PN: Todo adulto deve incluir no check-up uma investigação cerebral.
Vou dar um exemplo: os aneurismas cerebrais têm uma mortalidade
de 50% quando rompem, não importa o tratamento. Dos 50% que não
morrem, 30% vão ter uma sequela grave: ficar sem falar ou ter uma paralisia.
Só 20% ficam bem. Agora, se você encontra o aneurisma num checkup,
antes dele sangrar, tem o risco do tratamento, que é de 2%, 3%.
É uma doença muito grave, que pode ser prevenida com um check-up.

PODER: Você acha que a vida moderna atrapalha?

PN: Não, eu acho a vida moderna uma maravilha. A vida na
Idade Média era um horror. As pessoas morriam de doenças
que hoje são banais de ser tratadas. O sofrimento era muito maior.
As pessoas morriam em casa com dor. Hoje existem remédios
fortíssimos, ninguém mais tem dor.

PODER: Existe algum inimigo do bom funcionamento do cérebro?

PN: O exagero. Na bebida, nas drogas, na comida.
O cérebro tem de ser bem tratado como o corpo.
Uma coisa depende da outra. É muito difícil um
cérebro muito bem num corpo muito maltratado, e vice-versa.

PODER: Qual a evolução que você imagina para a neurocirurgia?

PN: Até agora a gente trata das deformidades que a doença causa,
mas acho que vamos entrar numa fase de reparação do
funcionamento cerebral, cirurgia genética, que serão cirurgias
com introdução de cateter, colocação de partículas de nanotecnologia,
em que você vai entrar na célula, com partículas que carregam dentro
delas um remédio que vai matar aquela célula doente. Daqui a 50 anos
ninguém mais vai precisar abrir a cabeça.

PODER: Você acha que nós somos a última geração que vai envelhecer?

PN: Acho que vamos morrer igual, mas vamos envelhecer menos.
As pessoas irão bem até morrer. É isso que a gente espera.
Ninguém quer a decadência da velhice. Se você puder ir bem de
saúde, de aspecto, até o dia da morte, será uma maravilha, não é?

PODER: Você não vê contraindicações na manipulação dos processos
naturais da vida?

PN: O que é perigoso nesse progresso todo é que, assim como vai
criar novas soluções, ele também trará novos problemas.
Com a genética, por exemplo, você vai fazer um exame de
sangue e o resultado vai dizer que você tem 70% de chance de ter
um câncer de mama. Mas 70% não querem dizer que você vai ter,
até porque aquilo é uma tendência. Desenvolver depende do meio
em que você vive, se fuma, de muitos outros fatores que interferem.
Isso vai criar um certo pânico. E, além do mais, pode criar problemas,
como a companhia de seguros exigir um exame genético para saber as
suas tendências. Nós vamos ter problemas daqui para frente que serão
éticos, morais, comportamentais, relacionados a esse conhecimento que
vem por aí, e eu acho que vai ser um período muito rico de debates.

PODER: Você acredita que na hora em que as pessoas puderem
decidir geneticamente a sua hereditariedade e todo mundo tiver filhos
fortes e lindos, os valores da sociedade vão se inverter e, em vez do belo,
as qualidades serão se a pessoa é inteligente, se é culta, o que pensa?

PN: Mas aí você vai poder escolher isso também. Esse vai ser o problema:
todo mundo vai ser inteligente. Isso vai tirar um pouco do romantismo e da
graça da vida. Pelo menos diante do que a gente está acostumado.
Acho que a vida vai ficar um pouco dura demais, sob certos aspectos.
Mas, por outro lado, vai trazer curas e conforto.

PODER: Hoje a gente lida com o tempo de uma forma completamente diferente.
Você acha que isso muda o funcionamento cerebral das pessoas?

PN: O cérebro vai se adaptando aos estímulos que recebe, e às necessidades.
Você vê pais reclamando que os filhos não saem da internet, mas eles têm
de fazer isso porque o cérebro hoje vai funcionar nessa rapidez. Ele tem de
entrar nesse clique, porque senão vai ficar para trás. Isso faz parte do mundo
em que a gente vive e o cérebro vai correndo atrás, se adaptando.

PODER: Já aconteceu de você recomendar um procedimento e a pessoa
não querer fazer?

PN: A gente recomenda, mas nunca pode forçar. Uma coisa é a ciência,
e outra é a medicina. A pessoa, para se sentir viva, tem de ter um mínimo
de qualidade. Estar vivo não é só estar respirando. A vida é um conjunto.
Há doentes que preferem abreviar a vida em função de ter uma qualidade melhor.
De que adianta ficar ali, só para dizer que está vivo, se o sujeito perde todas as
suas referências, suas riquezas emocionais, psíquicas. É muito difícil, a gente
tem de respeitar muito.É talvez esse respeito que esteja faltando.
A Ética e a Moral devem voltar as salas de aula,desde a mais tenra idade.

PODER: Como é o seu dia a dia?

PN: Eu opero de segunda a sábado de manhã, e de tarde atendo no consultório.
Na Santa Casa, que é o meu xodó, nós temos 50 leitos, só para pessoas pobres.
Eu opero lá duas vezes por semana. E, nos outros dias, na Clínica São Vicente.
O que a gente mais opera são os aneurismas cerebrais e os tumores. Então,
é adrenalina todo dia. Sem ela a gente desanima e o cérebro funciona mal. (risos)

PODER: Você é workaholic?

PN: Não é que eu trabalhe muito, a minha vida é aquilo. Quando viajo, fico entediado.
Depois de alguns dias, quero voltar. Você perde a sua referência, está acostumado com
aquela pressão, aquele elástico esticado.E como eu disse o cérebro se adapta,se habitua.

PODER: Como você lida com a impotência quando não consegue salvar um paciente?

PN: É evidente que depois de alguns anos, a gente aprende a se defender.
Mas perder um doente faz mal a um cirurgião. Se acontece, eu paro com o
grupo para discutir o que se passou, o que poderia ter sido melhor, onde foi
a dificuldade. Não é uma coisa pela qual a gente passe batido. Se o cirurgião
acha banal perder um paciente é porque alguma coisa não está bem com ele mesmo.

PODER: Como você lida com as famílias dos seus pacientes?

PN: Essa relação é muito importante. As famílias vão dar tranquilidade e confiança
para fazer o que deve ser feito. Não basta o doente confiar no médico.
O médico também tem de confiar no doente. E na família. Se é uma família
que cria caso, que é brigada entre si, dividida, o cirurgião já não tem a mesma
segurança de fazer o que deve ser feito. Muitas vezes o doente não tem como
opinar, está anestesiado e no meio de uma cirurgia você encontra uma situação
inesperada e tem de decidir por ele. Se tem certeza de que ele está fechado com
você, a decisão é fácil. Mas se o doente é uma pessoa em quem você não confia,
você fica inseguro de tomar certas decisões. É uma relação bilateral, como num
casamento. Um doente que você opera é uma relação para o resto da vida.

Poder: Você acredita em Deus?

PN: Geralmente depois de dez horas de cirurgia, aquele estresse, aquela adrenalina toda,
quando você acaba de operar, vai até a família e diz: "Ele está salvo". Aí,
a família olha pra você e diz: "Graças a Deus!". Então, a gente acredita que não fomos
apenas nós. É uma verdade.

PODER: Como você relaxa?

PN: Estudando. A coisa que mais gosto de fazer é ler. Sábado e domingo, depois do
almoço, gosto de sentar e ler, ficar sozinho em silêncio absoluto. A outra forma,
é ouvindo música bem baixinho.

PODER: E o que gosta de ler e de ouvir?

PN: Sobre medicina,história,ou filosofia. Agora estou lendo um livro antigo,
chamado Bandeirantes e Pioneiros, do Vianna Moog, no qual ele compara
a colonização dos Estados Unidos com a do Brasil. E discute por que os
Estados Unidos, com 100 anos a menos que o Brasil, tiveram um
enriquecimento e um progresso tão rápidos. Por que um país se
desenvolveu em progressão geométrica e o outro em progressão aritmética.
Já na música,varia bastante,mas a clássica me relaxa bastante.

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